Linhas, fios e afins…



9 de Outubro de 2010, 15h00

Atelier “Temos Tempo”, Feital

Vem luzlinar (oficinas)   

15h00 Fios e afins nos contos tradicionais portugueses por Cátia Ramalhinho, com a participação de Ana Paula Guimarães e Inês de Ornellas e Castro, do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional.
16h00 As bordadeiras, filme de Eléonóre Faucher
17h30 Lanche e visita à exposição “A vida de Santa Margarida” na junta de Freguesia do Feital.

Com a colaboração da Junta de Freguesia do Feital

 


Cátia Ramalhinho
Licenciou-se em Estudos Portugueses e Lusófonos na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde frequenta agora o mestrado em Ensino do Português e das Línguas Clássicas no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário. Em 2008/2009 foi-lhe atribuída uma bolsa de integração na investigação pela Fundação Ciência e Tecnologia, tendo trabalhado no projecto Bordadeiras do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional. No presente ano lectivo, colaborou no projecto Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental, também ao abrigo do IELT.
Ana Paula Guimarães
Fez o Doutoramento em Estudos Portugueses, com especialidade de Literatura Oral e Tradicional. Criou e dirige o Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT), sediado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tem publicado livros como Olhos, Coração e Mãos no Cancioneiro Popular Português (Lisboa, Círculo de Leitores, 1993), Abecedoria do Coração – Arte de Bem Viver no Cancioneiro Popular Português (com António Goetze Piano, Lisboa, Vega, 1994), Nós de Vozes – Acerca da Tradição Popular Portuguesa (Lisboa, Colibri, 2000; 2ªed. Lisboa, Colibri/IELT, 2007), Pés de Galinha (Porto, Edições Éterogémeas, 2002), As Estrelas Acessíveis – José de Almada-Negreiros: o Corpo em Palestra (com Carlos Augusto Ribeiro: “O que vai adiante Aqui Cáucaso”, Lisboa, Apenas Livros/ IELT, 2004); Falas da Terra – Natureza e Ambiente na Tradição Popular Portuguesa (com João Barbosa e Luís Cancela da Fonseca, Lisboa, Colibri/ IELT, 2004), Cuidar da Criação – Galinhas, Galos, Frangos e Pintos da Tradição Popular Portuguesa (Lisboa, Apenas Livros, 2002, Círculo de Leitores, 2005). Este trabalho foi distinguido com uma menção honrosa pelas Organizações Não Governamentais do Conselho Consultivo da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, em 2001. Artes de Cura e Espanta-Males — Espólio de Medicina Popular recolhido por MIchel Giacometti (coord. Ana Gomes de Almeida, Ana Paula Guimarães e Miguel Magalhães) — 2009.
Inês de Ornellas e Castro
Licenciou-se em Línguas Clássicas, variante de Estudos Clássicos e Portugueses pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1986). Fez os seus estudos de pedagogia e de didáctica do Português e do Latim no Núcleo de Profissionalização em Serviço da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (1991). Concluiu o Mestrado em Línguas e Literaturas Clássicas, área de especialização em Literatura Latina, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com a dissertação Apicius, De re coquinaria. Um breviário do gosto imperial (1992), e doutorou-se em Língua e Cultura Latina na Universidade Nova de Lisboa com a tese Da Mesa dos Deuses à Mesa dos Homens. A simbólica da alimentação na Antiguidade Romana (2007). Ensina Latim na FCSH desde 1993, onde é professora auxiliar convidada.
Publicou, entre outros títulos, com José Manuel Barbosa, Testemunhos e Fragmentos de Górgias de Leontinos (edição bilingue, tradução, comentário e notas, Lisboa, Colibri, 1993); O Livro de Cozinha de Apício. Um Breviário do Gosto Imperial Romano (Sintra, Colares Editora, (1998), a que foi atribuído um prémio de Excelência em Investigação; e com Maria Mafalda de Oliveira Viana, Poemas de Amor. Antologia Poética Latina. Introdução, tradução e notas, Lisboa, Relógio de Água (2009); coorganizou com Vanda Anastácio Revisitar os saberes. Referências clássicas na cultura portuguesa do renascimento à época moderna. CEC/IELT (2010)  e  Géneros Literários. Continuidades e rupturas da Antiguidade aos nossos dias CEC (2010). É ainda autora de diversos artigos sobre história da alimentação na Antiguidade, sobre o corpo, sobre bromatologia e sobre crítica textual no renascimento e época moderna.
Desenvolve actualmente o projecto  «Edição e estudo de textos portugueses em Latim de finais do século XVI e do século XVII sobre bromatologia». Integra a equipa do projecto European Women Writers, Portuguese Women Writers  financiado pela FCT, sediado na F.C.S.H., É investigadora do Institut Européen d’Histoire et Culture de l’Alimentation, tendo sido encarregada da bibliografia portuguesa para o Reportório Bibliográfico Europeu ( Institut Européen d’Histoire et Culture de l’Alimentation/ Bibliothèque National de Paris / Universidade de Harvard). É investigadora do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT) desde a sua criação, e membro da comissão coordenadora da rede europeia Corpus/International Network for the Cultural Studies of the Body e colaboradora e membro do Conselho Científico do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
As bordadeiras
França – 2004 – 35mm – 1.85 – cor – 1h28 – Dolby SR
Projecção em videograma
Versão em Francês com legendas em Português
Realização: Eléonore Faucher
Argumento: Eléonore Faucher et Gaëlle Macé
Fotografia: Pierre Cottereau
Som: François Guillaume
Música: Michael Galasso
Montagem: Joële Van Effenterre
Cenografia: Philippe Van Herwijnen
Produção: Alain Benguigui / Sombrero Productions
Co-produção: Bertrand Van Effenterre / Mallia Films


Sinopse:
Aos 17 anos, Claire apercebe-se que está grávida de cinco meses e decide dar à luz. É na casa da Sra. Mélikian, bordadeira que trabalha para a alta-costura, que encontra refúgio. Dia após dia, ponto após ponto, à medida que o ventre de Claire se arredonda, estabelece-se entre as duas, mais que a arte do bordado, um sentimento de maternal.
O projecto BORDADEIRAS
Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
O projecto BORDADEIRAS, filiado no filme de Éléonore Faucher (2004) - ecoando o projecto OS RESPIGADORES E A RESPIGADORA, por sua vez parente do filme de Agnès Varda (2000) - intenta recolocar a questão do bordado, do fio, da tecelagem, do tecido, actividade artesanal relacionada com a alta costura (Lacroix). Tecer, bordar, fiar, curtir materiais desde o cultivar e (re)colher até à finura do trabalho final... são gestos quotidianos, simples, óbvios (de resposta a encomenda) que não são realizados apenas para conservar imagens do passado em actos turísticos (souvenirs) mas cumpridos numa actuação empenhada, fundida na vida, e da qual inúmeros exemplos fornecidos pela arte contemporânea atestam o seu vigor e persistência.
Fios da existência, tecidos e textos vividos empenhadamente. Filhas e pais, mulheres e homens, mães e filhos: relações urdidas em tramas particulares.
Preocupar-nos-á doravante continuar a estudar as subtis relações entre tecer e escrever, urdir e canta(rola)r, fiar e contar um conto, um nó, vários nós numa teia urdida com calma, sabedoria e apreço pelo resultado final, um remate com pontos bem 'arrematados'.
A relação do gesto do 'bordado' com os acontecimentos da vida vigora no referido filme como subjaz na lírica, no conto (chamados 'popular') à medida de Penélope, a tecedeira tecedora da sua própria sobrevivência.

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